Camisa da Seleção, “Vai Brasa” e o perigo de não conhecer seu público
A recente polêmica envolvendo a nova camisa da Seleção Brasileira de Futebol para a Copa de 2026 é um exemplo perfeito de como branding, cultura e estratégia podem entrar em choque, e por quê conhecer profundamente o seu público é indispensável para qualquer marca. O caso “Vai, Brasa”: quando a intenção não encontra a realidade […]
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A recente polêmica envolvendo a nova camisa da Seleção Brasileira de Futebol para a Copa de 2026 é um exemplo perfeito de como branding, cultura e estratégia podem entrar em choque, e por quê conhecer profundamente o seu público é indispensável para qualquer marca.
O caso “Vai, Brasa”: quando a intenção não encontra a realidade
A fornecedora esportiva responsável pelo uniforme apostou em uma estratégia clara: se conectar com um público mais jovem, digital e alinhado à linguagem das redes sociais.
O problema? A execução.
A expressão “Vai, Brasa”, utilizada na parte interna da camisa, foi pensada como uma forma descontraída de se referir ao Brasil, algo supostamente presente nas ruas e nos estádios.
Mas a recepção foi bem diferente.
- Muitos torcedores afirmaram que o termo não representa a cultura real da torcida
- Outros consideraram a expressão forçada e artificial
- O debate rapidamente escalou para uma discussão sobre identidade nacional e autenticidade
Na prática, o que era para gerar conexão acabou gerando estranhamento.
“Canary”, Brasil com S e o ruído cultural
Outro ponto que chamou atenção foi a explicação da designer sobre a escolha da cor “canary” (canarinho) e o conceito de “Brasil com S”, uma tentativa de reforçar identidade nacional em um contexto global.
Aqui entra um detalhe crucial:
- Para quem está dentro do Brasil, isso pode soar óbvio, irrelevante ou até desconectado
- Para quem está fora (especialmente em empresas globais), pode parecer uma decisão estratégica e simbólica
Esse descompasso revela um problema clássico de branding: quando o discurso da marca é construído mais para dentro da empresa do que para o público real.
O erro estratégico por trás da polêmica
A grande falha não foi usar “Brasa”. Nem usar “canary”.
Foi não validar isso com quem realmente importa: o público.
A campanha buscava modernizar a comunicação e dialogar com novas gerações, o que faz sentido. Mas ignorou um ponto essencial:
- A camisa da seleção não é só produto
- Ela é símbolo cultural, emocional e histórico
E símbolos não permitem erros de leitura.
O que isso ensina sobre marketing e branding
Esse caso traz lições valiosas para qualquer empresa, especialmente para quem desenvolve produtos, campanhas ou posicionamento de marca.
1. Cultura não se inventa, se observa
Termos, gírias e símbolos precisam nascer do público, não do brainstorm.
2. Global não pode ignorar o local
Marcas globais frequentemente erram ao tentar “traduzir” culturas sem vivê-las de verdade.
3. Pesquisa não é opcional
Testes com público real evitam crises desnecessárias.
4. Branding é percepção, não intenção
Não importa o que a marca quis dizer, importa o que o público entendeu.
Conhecer o público: o diferencial competitivo invisível
Antes de lançar qualquer produto, campanha ou posicionamento, é fundamental:
- Estudar o comportamento do público
- Entender referências culturais
- Validar linguagem e símbolos
- Identificar possíveis ruídos
Empresas que ignoram esse processo correm o risco de investir alto… para gerar rejeição.
Marketing sem contexto é ruído
O caso da camisa da seleção brasileira mostra que até marcas gigantes podem errar quando perdem o contato com a realidade do seu público. Mais do que criatividade, branding exige escuta. Mais do que conceito, exige contexto. E mais do que tendência, exige verdade.
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